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Como resolver problemas complexos na empresas?

23/01/2017

Muitas das decisões estratégicas acabam sendo tomadas a partir do feeling de executivos ou em análises simplistas que não consideram as reações dos agentes e o tempo para que os efeitos das decisões apareçam.
Um estudo recente feito pela consultoria de educação corporativa AfferoLab junto a profissionais de recrutamento e seleção aponta que a competência mais difícil de ser encontrada em profissionais brasileiros é a capacidade de resolver problemas complexos. Essa mesma competência também foi considerada a mais relevante segundo o relatório do Fórum Econômico Mundial, divulgado em janeiro de 2016.
Quando falamos de complexidade de problemas, existem dois tipos: a combinatorial e a dinâmica. Quando falamos de complexidade combinatorial, alguns exemplos são a definição da rota de um veículo para entregar produtos de uma empresa de e-commerce ou a maneira como uma companhia aérea aloca seus funcionários nos diferentes voos de um período. Em ambos os casos, existe uma grande quantidade de possíveis combinações que precisam ser testadas.
A complexidade dinâmica, por sua vez, ocorre quando o número de possíveis alternativas não é grande, mas existem outros elementos que tornam o problema complexo. Esses tipos de problemas acontecem tanto em decisões internas de uma empresa, quanto em decisões que envolvam outras empresas, consumidores ou demais agentes. É quando a alta gerência de uma empresa precisa priorizar seus investimentos para alcançar um determinado objetivo.
Uma empresa de telefonia móvel que busca aumentar seu faturamento deve priorizar investimentos para atrair novos clientes ou investir nos processos internos para melhorar o atendimento aos clientes atuais? Uma empresa que está sofrendo com alto turnover de funcionários deveria aumentar a remuneração dos colaboradores ou o número de recém-formados que serão contratados? Se uma empresa sofre com a entrada de um concorrente, deve reduzir preços ou investir no desenvolvimento de produtos/serviços que a diferencie da concorrência? Em todos esses casos existem agentes (clientes, funcionários, concorrentes) com objetivos próprios e que irão reagir às decisões tomadas pela alta gerência. Essas reações podem demorar a surtir efeito. São esses os elementos que caracterizam um problema como complexidade dinâmica.

Decisões Estratégicas
Para lidar com problemas de complexidade combinatorial, as empresas estão cada vez mais usando softwares capazes de selecionar a melhor alternativa entre as milhares (e às vezes milhões) de combinações possíveis. O grande desafio está na forma com que muitos executivos lidam com problemas de complexidade dinâmica.
Muitas das decisões estratégicas acabam sendo tomadas a partir do feeling de executivos ou em análises simplistas que não consideram as reações dos agentes e o tempo para que os efeitos das decisões apareçam. Tomar decisões estratégicas baseadas em uma lista de vantagens e desvantagens, ou até mesmo por meio de uma análise SWOT, pode gerar resultados abaixo do desejado.
Felizmente, existem métodos e ferramentas adequadas para a tomada de decisão em ambientes com complexidade dinâmica. Umas delas é a Dinâmica de Sistema, ou Business Dynamics, usada por empresas e órgãos públicos no exterior para lidar como problemas estratégicos nas mais diversas áreas da empresa. O método busca identificar os fatores que estão impactando um determinado indicador – por exemplo, volume de vendas, turnover de funcionários ou market share –, e os traduz em um modelo de simulação que considera o tempo para que as decisões tenham efeito e as reações dos outros agentes envolvidos sejam percebidas.
No modelo computacional criado, os tomadores de decisão podem testar diferentes ações e avaliar qual delas trará melhor resultado ao longo do tempo. Empresas como Harley-Davidson, Coca Cola, MasterCard, GM, Novartis entre muitas outras têm usado com sucesso a Business Dynamics.
A metodologia também é utilizada por empreendedores que precisam avaliar um determinado modelo de negócio de uma startup e traduzi-lo para as decisões do dia-a-dia.

Fonte: Inper, Publieditorial 17/01/2016.


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